domingo, 6 de março de 2011

A necessidade da reflexão filosófica.

Primeiramente, alguns de nós, estudantes de turismo ao ingressar na academia, nos vemos num questionamento acerca do que seria o turismo. Para chegarmos a esta resposta, devemos nos apegar inicialmente a Filosofia. Segundo Panosso Netto, a filosofia é, antes, uma reflexão primeiramente sobre o homem e o mundo, que se preocupa com as questões fundamentais da existência humana, como a ética, o sentido da vida, a verdade científica, a lógica, os problemas metafísicos, ontológicos e transcendentais, entre outros.O ato de viajar muitas vezes é relativizado pelos turistas e pelos próprios estudiosos e empresários da área. Se os estudos filosóficos fossem utilizados  nas reflexões turísticas, certamente melhor proveito das viagens poderiam ser obtidos. O que é o turismo? Como se produz conhecimento na área do turismo? Quais são as bases nas quais se fundamenta o conhecimento em turismo? Todas essas perguntas exigem  respostas que necessariamente passarão pela reflexão filosófica.O turismo, por sua vez, é experiência. É experiência no momento em que constrói esse "ser" turista. as impressões internas dessa ação não são formadas apenas na viagem, ou no deslocamento propriamente dito, mas também são vividas nos momentos que antecipam o ato do turismo e nos momentos que se seguem após o ser turista ter empreendido sua viagem.[...] Os bens e serviços oferecidos aos turistas, bem como a infra-estrutura (hotéis, agências de viagens, aeroportos), são experienciados historicamente tanto pelo "ser" turista quanto pelo "ser" recepcionista de hotel; pelo "ser" agente de viagens; pelo "ser" piloto de avião; o que diferencia esse "seres" é justamente a forma de experiência que cada um está  tendo durante esses momentos.Essa é uma relação complexa e conflituosa e dificulta a definição do termo turismo; assim, qualquer definição do termo deve levar em consideração essa dicotomia turista-não-turista. [...] Então, podemos dizer que o turismo é um fenômeno de experiências vividas de maneira e desejo diferentes por parte dos seres envolvidos, tanto pelos ditos turistas quanto pelos empreendedores do setor. O fenômeno é o mesmo e não pode ser fragmentado pra estudo, devendo ser visto como um todo conexo. Assim, cada ser experiencia e historicia de maneira diferente o seu viver que envolve o turismo. [...] Pela experiência passada, presente, e pela que virá a ser é que se constrói o ser turista e se configura o fenômeno turístico, numa complexa e imbricada relação de intercâmbio de bens e serviços e de desejos objetivo e anseios subjetivos construídos por esse ser-turista-humano para si e de si mesmo.Portanto, afirmamos que o ser humano (com todas as características que destacamos) é o sujeito dos estudos turísticos, é  responsável único pela configuração do que chamamo fenômeno turístico. Sem ele interagindo com a infra-estrutura turística e com as empresas do setor, temos apenas um fato turístico.


(Texto extraído do Livro Filosofia do Turismo, Teoria e Epistemologia; Panosso Netto, Alexandre)

Um comentário:

  1. Oi, Izabela Barroso. Parabéns pela iniciativa!

    Com relação ao texto, acho-o muito interessante. A reflexão filosófica deve ser sempre uma necessidade para o pesquisador(a) de qualquer área de produção de conhecimento das Ciências Sociais e Humanas em geral.

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