domingo, 24 de abril de 2011

Como surgiu?

Inicialmente os motivos que levaram os povos das civilizações pré-históricas a se deslocarem foi a busca por alimentos, por segurança e a procura de climas mais amenos. No entanto, as habilidades e técnicas que esse povos começaram a desenvolver, diminuiu a necessidade dessa ação nômade e uma nova motivação surgiu para que ocorressem as viagens, seria o transporte e a troca de mercadorias. Nesse sentido, era necessário que a infra-estrutura como, estradas, canais de navegação surgissem para dar condições para que os veículos que estavam sendo desenvolvidos trafegassem.
Os gregos apreciavam visitar outras cidades por mero prazer, Atenas em particular. Também gostavam de viajar para participar de grandes festas religiosas e de eventos, como os Jogos Olímpicos, realizados a cada quatro anos na cidade de Olímpia. Como os gregos antes deles, os romanos freqüentavam seus próprios eventos atléticos e religiosos e viajavam para lugares onde eram realizado. Passeios turísticos eram populares entre os romanos abastados, e muitos visitavam a Grécia.
Um guia de viagens de dez volumes foi publicado em 170 a.C. pelo grego Pausânias. Intitulado Um Guia para a Grécia, visava o mercado romano de turismo e descrevia as esculturas e os monumentos gregos e as lendas e mitos que cercavam.Os romanos também viajavam para o Egito para ver a esfinge e as pirâmides. As civilizações asiáticas também têm uma história de viagens de lazer a estações de veraneio, com exemplos conhecidos de segundas residências ou vilas de veraneio na China e no Japão. Os nobres chineses e seus convidados deslocavam-se para pavilhões e casas de campo de verão em Sushou, Hangzhou e outras regiões de belas paisagens.
Durante a Idade Média, a igreja cristã estimulava as viagens propagando mosteiros. Monges e sacerdotes encorajavam o povo a fazer peregrinações e, por volta do século XIV, elas eram um fenômeno de massa organizado, atendidas por uma rede crescente de albergues de caridade com um número sempre maior de participantes de todas as classes sociais. Os cristãos iam a Jerusalém e a Roma, e, embora as peregrinações tivessem fundamento religioso, eram também vistas como viagens recreativas e sociais.
Os primeiros relatos foram através do livro de Marco Polo sobre suas viagens,a principal fonte de informação  do Ocidente sobre a vida no Oriente durante esse período. Outros livros sobre viagens começaram a aparecer com o advento da máquina de impressão, e o livro Viagens, de Sir John Mandeville, de 1357, foi impresso em diversas línguas, com descrições de viagens a lugares tão remotos como o sudeste da Ásia.
Há registro, no século XV, de um pacote de viagens parecidos com os atuais, que partia de Veneza e ía até a Terra Santa. Pelo preço do pacote, o viajante garantia passagem, refeições, alojamento, corridas de jumentos e o dinheiro de suborno, necessário para evitar formalidades burocráticas. As primeiras versões dos modernos quiosques de conveniência, com alimentos de consumo rápido, surgiam ao longo dos caminhos dos peregrinos, de intensa movimentação. Durante a alta  temporada, mascates de beira de estrada vendiam vinho, frutas, peixe, carnes, pão e bolos nas tendas que armavam.

Extraído do Livro Turismo Internacional - Uma perspectiva global - 2ª Edição - Organização Mundial de turismo e Rede de Educação da OMT na Universidade do Havaí em Manoa (EUA); Universidade de Calgary (Canadá); James Cook University (Áustria). ORGANIZADORES: Chuck Y. Gee, diretor da School of Travel Industry Management, Universidade do Havaí em Manoa; eduardo Fayos-Solá, diretor de Educação e Treinamento da OMT. TRADUÇÃO: Roberto Cataldo Costa.

terça-feira, 8 de março de 2011

O que é o Turismo?

Para essa discussão nos direcionamos a Thomas S. Kuhn e sua obra A estrutura das Revoluções Científicas. A palavra-chave para entender o pensamento de Kuhn é paradigma. Platão empregava o termo paradigma como modelo; Aristóteles considerava paradigma como exemplo. Kuhn empregou esse termo em vários sentidos, o que chegou a causar certa confusão entre seus leitores. Kuhn percebe o avanço das ciências em forma de saltos, de rupturas. Para ele, o pesquisador que não está satisfeito com o paradigma vigente, pode buscar outra teoria que explique melhor o objeto estudado. Tal pesquisador não é obrigado a aceitar os fundamentos de outros pesquisadores. exemplificando, Kuhn usa o fato de que antes de Isaac Newton, todo cientista que quisesse estudar a óptica física teria o trabalho de formular os seus próprios fundamentos. Teria de construir e fundamentar toda uma teoria para explicar a realidade em questão, uma vez que não existia um conjunto-padrão de métodos ou fenômenos que fossem aceitos por todo o grupo de pesquisadores, fator que não dava sustentação e segurança para usar tal teoria, se é que ela existia.
Ainda, segundo o próprio Kuhn, com o desenvolvimento da ciência "hoje em dia esse padrão é familiar a numerosos campos de estudo criadores e não é incompatível com invenções e descobertas significativas". explicando: hoje cada ciência tem o seu ou os seus padrões (paradigmas, modelos, fundamentos) criados por seus pesquisadores que servem de orientação para esses mesmos pesquisadores. Assim, compreende-se a explicação de Kuhn, segundo a qual paradigmas seriam conceitos teóricos e valores aceitos por uma comunidade científica que aplica tais conceitos e valores em suas pesquisas. As conquistas seriam científicas, obtidas que são universalmente, reconhecidas por seus pares e que fundamentam, por um período de tempo, o avanço da ciência. 
Apesar de a visão sistêmica ter se constituído em um paradigma (posição aceita por Dencker & Bueno e por Beni) e ser a mais aceita e conhecida pelos estudiosos do turismo ( para confirmar essa afirmação, basta um pouco de visão e de leitura das maiores e melhores referências de turismo mundial), nesse campo ainda não há uma teoria que congregue seus pesquisadores em uma mesma metodologia de estudo. prova dessa afirmação são as novas abordagens que inúmeros autores vêm propondo ao turismo recentemente. Nesse caso, o turismo encontra-se no estágio paradigmático, com o "Paradigma Sistema de turismo", mas que já se encontra fragilizado pelas críticas e novas propostas de estudos de outras correntes que não a Teoria Geral de Sistemas.  
Segundo Kuhn, existe um estágio antes da formação de um paradigma em uma ciência, que é o estágio pré-paradigmático, considerado como aquele momento em que uma teoria está sendo gestada e enfrenta os desafios e obstáculos de uma ciência que está se formando, como, por exemplo, falta de credibilidade e dificuldade de responder a novos problemas, em virtude da criação de novas abordagens dos problemas. nesse estágio, os avanços são percebidos somente por aqueles que estão trabalhando com essa nova teoria. De acordo com Kuhn, durante o período pré-paradigmático, quando temos multiplicidade de escolas em competição, torna-se muito difícil encontrar provas de progresso, a não ser no interior das escolas.
Com tal delineamento, afirmando que o turismo possui um paradigma, não pretendemos dizer que ele deva ser elevado ao status de ciência, pois esse próprio termo apresenta problemas semânticos nessa área acadêmica. além do mais, qual seria a importância de o turismo constituir ou não uma ciência? o progresso do turismo? Ou, nas palavras de Kuhn: " um campo de estudos progride porque é uma ciência porque progride?".
Jafar Jafari destaca que quando um campo de estudo evolui para a maturidade, são introduzidos e buscados novos dados que denotam avanço progressivo e assinalam a transição desejada dentro desse campo de estudo. com relação às metas promissoras, elas potencialmente conduzem o corpo de conhecimentos a novas  fronteiras. Para Jafari, a revisão desses progressos cumulativos no turismo pode ilustrar o trajeto revelado de cientifização (termo oferecido por Jafari par falar do processo de elevação do turismo à categoria de disciplina científica), e destaca três pontos que estão entre aqueles com os quis Jafari está mais familiarizado que demonstram o processo de amadurecimento científico. São eles:
  • A criação do periódico internacional Annals of Tourism Research em 1973, que publica, preferencialmente, artigos com aspectos sociais do turismo.
  • A fundação da Internacional Academy for The Study of Tourism.
  • A criação da Encyclopedia of Tourism, em 2000, da qual o próprio Jafari é o editor-chefe.
Salientamos que não é problema o fato de o turismo não ser aceito como ciência. Ao lermos os autores que tratam da produção do conhecimento em turismo, percebemos que há três grupos com opniões distintas.
Há um grupo otimista que acredita que pela produção científica existente o turismo pode ser considerado ciência. Outro grupo, também otimista mas cauteloso, acredita que o turismo está a caminho de se tornar ciência, mas que para isso acontecer a pesquisa na área de ser intensificada: o objeto abordado e o método de pesquisa utilizado têm de ser claramente definidos. E há o grupo que percebe o turismo como atividade humana que e estudada pelas mais diversas disciplinas científicas e que não é e nunca será ciência.
Segundo o próprio Kuhn, a solução dessa questão depende do olhar de quem observa, sendo possíveis várias respostas. dependendo da fundamentação de cada resposta, as duas podem ser válidas.ou seja, depende do observados! essa não é uma posição viável, pois entendemos que esse ponto de vista leva ao relativismo e à responsabilidade conceitual. Em nosso entender, o turismo (ainda) se constitui em um campo de estudos de outras ciências, que não apresenta método de pesquisa nem objeto definidos, pois não possui corpo teórico conceitual que lhe permita ascender ao status de disciplina (ciência), com método de investigação e objeto de pesquisa próprios.

(Texto extraído do Livro Filosofia do Turismo - Panosso Netto, Alexandre)

domingo, 6 de março de 2011

A necessidade da reflexão filosófica.

Primeiramente, alguns de nós, estudantes de turismo ao ingressar na academia, nos vemos num questionamento acerca do que seria o turismo. Para chegarmos a esta resposta, devemos nos apegar inicialmente a Filosofia. Segundo Panosso Netto, a filosofia é, antes, uma reflexão primeiramente sobre o homem e o mundo, que se preocupa com as questões fundamentais da existência humana, como a ética, o sentido da vida, a verdade científica, a lógica, os problemas metafísicos, ontológicos e transcendentais, entre outros.O ato de viajar muitas vezes é relativizado pelos turistas e pelos próprios estudiosos e empresários da área. Se os estudos filosóficos fossem utilizados  nas reflexões turísticas, certamente melhor proveito das viagens poderiam ser obtidos. O que é o turismo? Como se produz conhecimento na área do turismo? Quais são as bases nas quais se fundamenta o conhecimento em turismo? Todas essas perguntas exigem  respostas que necessariamente passarão pela reflexão filosófica.O turismo, por sua vez, é experiência. É experiência no momento em que constrói esse "ser" turista. as impressões internas dessa ação não são formadas apenas na viagem, ou no deslocamento propriamente dito, mas também são vividas nos momentos que antecipam o ato do turismo e nos momentos que se seguem após o ser turista ter empreendido sua viagem.[...] Os bens e serviços oferecidos aos turistas, bem como a infra-estrutura (hotéis, agências de viagens, aeroportos), são experienciados historicamente tanto pelo "ser" turista quanto pelo "ser" recepcionista de hotel; pelo "ser" agente de viagens; pelo "ser" piloto de avião; o que diferencia esse "seres" é justamente a forma de experiência que cada um está  tendo durante esses momentos.Essa é uma relação complexa e conflituosa e dificulta a definição do termo turismo; assim, qualquer definição do termo deve levar em consideração essa dicotomia turista-não-turista. [...] Então, podemos dizer que o turismo é um fenômeno de experiências vividas de maneira e desejo diferentes por parte dos seres envolvidos, tanto pelos ditos turistas quanto pelos empreendedores do setor. O fenômeno é o mesmo e não pode ser fragmentado pra estudo, devendo ser visto como um todo conexo. Assim, cada ser experiencia e historicia de maneira diferente o seu viver que envolve o turismo. [...] Pela experiência passada, presente, e pela que virá a ser é que se constrói o ser turista e se configura o fenômeno turístico, numa complexa e imbricada relação de intercâmbio de bens e serviços e de desejos objetivo e anseios subjetivos construídos por esse ser-turista-humano para si e de si mesmo.Portanto, afirmamos que o ser humano (com todas as características que destacamos) é o sujeito dos estudos turísticos, é  responsável único pela configuração do que chamamo fenômeno turístico. Sem ele interagindo com a infra-estrutura turística e com as empresas do setor, temos apenas um fato turístico.


(Texto extraído do Livro Filosofia do Turismo, Teoria e Epistemologia; Panosso Netto, Alexandre)